Não se engane, o futuro da Apple está condenado. No entanto, antes de jogar todos os seus iDevices pela janela e vender todas as suas ações, respire calmamente e siga o raciocínio: como uma empresa que baseia seus produtos em sistemas fechados — sem espaço para customização — e que já falhou exatamente por seguir esse modus operandi, poderá sobreviver a lei natural da biologia que provou, historicamente, como estruturas similares nunca sobrevivem?
Na abertura da conferência “Forward with Ford Futuring and Trends“, em Dearborn, no estado de Michigan, o especialista e editor de tecnologia e gadgets do Today Show da NBC Paul Hochman, convidou os presentes ao evento a seguir a mesma lógica.
Isso mesmo! Que ignorássemos toda a pilha de dinheiro que a empresa acumulou todos estes anos, o fato dela ter se reinventado e evoluído na ultima década, e ter reunido ao longo destes anos um time de profissionais altamente capacitados em torno de um projeto que serviu de base para que a própria industria se reinventasse.
Vamos combinar que comparar a Apple à GM — que optou por soluções de aúdio+gps do tipo tradicional sem espaço para atualizações — diminui bastante a força da argumentação dele. Se espera que um especialista em tecnologia tenha mais balas na agulha que isso. Senão, fica só parecendo que ele estava afim de puxar um pouco o saco e ser, digamos, polêmico, uma vez que está virando moda citar a Apple para atrair a atenção dos blogs de tecnologia. Heheh! :)
Outra coisa que precisamos combinar: parar de usar o passado da Apple como o fator central para o fracasso inevitável no futuro. Já passou da hora de deixar a história da empresa nos livros e filmes, além dos momentos em que você quiser bancar o saudosista ou entregar a própria idade. Todos sabemos que as circunstâncias da época eram completamente diferentes e que Bill Gates foi muito inteligente em oferecer um sistema “aberto” que atendesse as necessidades e vontades de vários fabricantes. Fabricantes, estes, ansiosos em abocanhar o mercado que nascia, por um módico valor.No entanto, hoje o cenário é outro. A Apple emplacou, seguidamente, um conjunto de serviços e produtos de grande sucesso, criando um ecossistema interdepentende e retro alimentado, que consegue transformar todo o diferencial das outras plataformas em um comoditty, enquanto se foca em entregar de ponto a ponto uma experiência intuitiva, imersiva, ubiqua e simples de usar.
É a solução ideal e perfeita? Não, longe disso. Mas é inegável que, diante de duas décadas de memoráveis e catastróficas confusões e incompatibilidades entre fabricantes e o então sistema dominante, hoje em dia, a Apple e o seu modelo vem ganhando cada vez mais força para os consumidores finais.
Outro fator fundamental é que, culturalmente, abandonamos diversas práticas muito comuns no século passado. Com a crescente presença da tecnologia e da conectividade em nossas vidas, ninguém quer mais perder tempo fazendo upgrades sucessivos, procurando por componentes de ponta, ou lidando com curvas longas de aprendizado.
Numa sociedade em que a simplicidade no uso e a mobilidade são cada vez mais as palavras da vez, em que o que mais queremos são aparelhos que nos permitam o uso sem problemas, entender como tudo funciona não é mais uma prioridade. No mundo de hoje, não há mais tempo para passar a tarde na garagem desmontando tudo como passatempo. Manuais, hoje, precisam ser conectados, interativos e sociais.
Talvez, no final das contas, o Paul esteja certo. Esteja certo em dizer que a empresa que não entregar essa experiência, estará fadada ao fracasso. A Apple pode até manter um modelo fechado, porém, longe de ser a GM que ele usou na comparação. Ela segue outra lei universal da biologia, que diz que os mais fortes sobrevivem por mais tempo.
Fonte: [Pocket-lint]


